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O que estamos ensinando às próximas gerações?

Entre armas, Constituição e discursos políticos, precisamos refletir sobre os valores que estamos transmitindo às próximas gerações.

Guilherme Furtado·· 3 min de leitura

O que estamos ensinando às próximas gerações?
Crédito da imagem: Redes sociais

O que estamos ensinando às próximas gerações?

Entre armas, Constituição e discursos políticos, uma reflexão sobre os valores que moldam o futuro do Brasil.

Uma criança segurando um objeto que aparenta ser uma arma e outra segurando a Constituição Federal de 1988. Duas imagens que nos fazem refletir sobre a sociedade que estamos construindo e, principalmente, sobre o futuro que estamos deixando para as próximas gerações.

É importante reconhecer que uma imagem, sozinha, não revela toda a história. Não temos como saber o que aconteceu naquela família, quais foram as intenções dos adultos ou o que aquela criança realmente compreende sobre o objeto que segura. Mas isso não significa que devemos ignorar o debate social e político que essas imagens despertam.

Nenhuma criança nasce preconceituosa. Ela aprende a ser. Acredito que ninguém nasce entendendo o mundo a partir do ódio, da intolerância ou da violência. Essas ideias são aprendidas e reproduzidas ao longo da vida, por meio da convivência, dos discursos e dos exemplos que recebemos. Por isso, precisamos questionar quais valores estamos transmitindo e qual é a responsabilidade dos adultos na formação das próximas gerações.

No Brasil, não podemos ignorar os discursos que associam segurança à ampliação do acesso às armas, que deslegitimam direitos e que transformam diferenças políticas em motivo de hostilidade. O bolsonarismo, enquanto movimento político, precisa ser questionado pelas ideias que defende e pelos valores que ajuda a disseminar. Isso não significa afirmar que todas as famílias ou todas as pessoas que se identificam com a direita pensam da mesma maneira, mas reconhecer que os discursos políticos têm consequências para além das urnas.

A Constituição Federal de 1988 representa uma conquista democrática e estabelece direitos fundamentais que precisam ser respeitados. Ela é resultado de um processo histórico de luta pela redemocratização do país, depois de anos de ditadura militar. Por isso, discutir o futuro do Brasil também exige refletir sobre a defesa da democracia, dos direitos humanos e das garantias constitucionais.

O problema não está simplesmente em uma criança aparecer em uma fotografia segurando determinado objeto. O problema está na sociedade que naturaliza a violência, na política que transforma direitos em disputa permanente e nos discursos que deixam de lado o pensamento crítico. Crianças e adolescentes precisam ter a oportunidade de questionar, aprender e construir suas próprias opiniões, em vez de apenas reproduzir aquilo que escutam.

Afinal, que país queremos construir? Um país que ensina suas próximas gerações a enxergar o mundo pela lógica do medo e da violência ou um país que as incentiva a conhecer seus direitos, respeitar as diferenças e participar da democracia?

Essa reflexão não é apenas sobre duas imagens. É sobre a responsabilidade coletiva de pensar no Brasil que estamos construindo hoje e no futuro que estamos deixando para quem ainda está aprendendo a compreender o mundo.

Fontes consultadas

  • 1. Constituição Federal de 1988: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
  • 2. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
  • 3. Agência Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/

Responsabilidade editorial: The Brasiliano.